quarta-feira, 11 de julho de 2012

O que é CONTRATURA CAPSULAR nas cirurgias de próteses mamárias?

Contratura capsular acontece quando a cápsula que envolve a prótese mamária se espessa e deforma o implante de silicone, alterando a forma da mama e algumas vezes trazendo desconforto, como dor a paciente. É a complicação mais comum nas cirurgias de implantes mamários.

Antigamente esta complicação era bem frequente, ocorrendo em 30 a 40% das cirurgias de próteses mamárias. Isto se explicava porque eram usados implantes de cobertura lisa e com conteúdo líquido (ambos silicone, claro). Com a modernização dos implantes mamários, com o uso do gel de preenchimento de alta coesividade e a cobertura texturizada ou de poliuretano, a prevalência de contratura capsular caiu para menos de 5% nas estatísticas gerais.

Para entendermos a contratura devemos falar sobre como o corpo reage materiais estranhos, neste caso a prótese.  Quando o corpo encontra algo estranho a ele este tenta destruí-lo, expulsá-lo ou isolá-lo. Como as células são muito pequenas para destruir e expulsar estas se unem e formam uma cápsula fibrótica para isolar o implante, fenômeno normal de qualquer cirurgia. Porém esta cápsula formada é tênue e elástica, mantendo a forma do implante nela englobada. Mas em algumas pacientes esta cápsula pode se tornar espessa, resistente, podendo até conter calcificações, e se contrair, deformando o implante mamário.




Quando ocorre a contratura algumas medidas podem ser tomadas, como massagem associada ao ultrassom para tentar amenizar uma contratura leve, porém em casos moderados a graves, onde a deformação já esta instalada e associados a dor, a cirurgia deve ser indicada para melhor resultado. Nesta cirurgia é feita a retirada destas próteses e a retirada da cápsula. Pode ser colocada uma nova prótese nesta mesma cirurgia, sendo de minha preferência trocar o material de cobertura, ou seja, quando a contratura ocorreu em um implante texturizado, troco para um de poliuretano, e vice-
versa.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Bioplastia - o que é? E é seguro?

O termo bioplastia se refere ao preenchimento de alguma área, sulco ou depressão corporal com o preenchedor definitivo chamado polimetilmetacrilato, ou PMMA.


O PMMA é um material sintético, descoberto no início do século passado, foi usado na década de 40 para preencher um defeito ósseo na calota craniana de um paciente. Este produto consiste em micro esferas de polimetilmetacrilato, substancia gelatinosa que não é absorvida pelo organismo. Após este início, começou a ser usado como cimento ósseo na ortopedia e na odontologia.
No mercado há vários produtos sendo vendidos, porém somente dois tem aprovação da ANVISA (vigilância sanitária), e são esta o Metacryll e o NewPlastic. Mesmo com aprovação da ANVISA, estes só são recomendados a ser usado para pacientes HIV+ e no total de 1 ml por região aplicada.





Estas recomendações são feitas porque não há estudos científicos que provem a segurança deste produto quando aplicado como preenchedor de rugas e depressões, nem quando usado para aumentar o volume de uma região.


Hoje vemos muitos anúncios em jornais, revistas e outras mídias falando de resultados milagrosos com "cirurgia sem corte". Esta propaganda é realizada por colegas de várias especialidades, que exercem a medicina estética em seus consultórios. Dentre estes estão também cirurgiões plástico e dermatologista, membros ou não de suas respectivas sociedades.


Realmente já presenciei resultados "imediatos" realmente impressionantes com a bioplastia, porém digo "imediato" porque não eram meus pacientes, este eram pacientes de demostração e não tive acompanhamento a longo prazo, onde podem ocorrer as complicações, uma vez que complicações imediatas são extremamente raras.


Mas também já tive a oportunidade, de algumas vezes ter em meu consultório ou no ambulatório do hospital que trabalho, paciente apresentando alguma complicação do mesmo produto. Algumas delas com extrema dificuldade de resolução, sendo o resultado final de verdadeira mutilação ao paciente.


As complicações geralmente não são complexas e também não são tão comuns, mas podem ser extremamente problemáticas algumas vezes. Podem variar de granulomas, nódulos, extrusão do enxerto, infecção, alergia até complicações mais graves, como embolia e necrose local.




Então sempre procure profissional experiente no assunto, que esclareça os prós e contras do procedimento a ser realizado, e que deixe claro os riscos. Todo procedimento tem alguma complicação que possa acontecer, não existe nada sem risco, então desconfie de algum método, medicamento, ou procedimento miraculoso, em que não há complicação, ou que o seu médico desconheça de complicações que possam acontecer. E sempre pesquise sobre seu médico e procure referências.
 Estima-se que cerca de um milhão de pessoas já aplicaram esses produtos (polimetil-metacrilato) em seus corpos no Brasil, sendo que 30% das complicações são oriundas de cirurgiões plásticos e dermatologistas e 70% são de médicos que fizeram cursos de medicina estética.“O problema é que estes cursos são realizados em um final de semana e dessa forma não se pode avaliar os resultados a longo prazo”, -, e ainda, "A Medicina Estética não é uma especialidade médica reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina , e portanto, não deveria ser acreditada como sendo uma entidade séria. Tais cursosformam profissionais mal-preparados e que utilizam procedimentos ainda pouco estudados."


Fico a disposição para dúvidas, e só publica-las nos comentários.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Qual o valor de uma cirurgia plástica?

Antes de qualquer coisa devemos saber que o médico cirurgião plástico oferece um serviço e por isso é livre de estipular um valor que o mesmo acha justo para tal serviço.

Geralmente quando consideramos uma cirurgia de valor muito elevado não levamos em consideração as responsabilidades assumidas por esse médico em relação ao seu paciente, onde o mesmo se torna responsável direta e indiretamente pela vida do seu paciente.

Além disso devemos levar em conta o tempo disponibilizado para tal cirurgia. Quando falo por tempo, não é só o tempo do ato cirúrgico, mas devo lembrar que por todo período pós-operatório o cirurgião deve dar atenção aquela paciente, sendo que em geral a paciente ocupa horário no consultório uma a duas vezes por semana por um ou dois meses, para retirada de pontos, curativos e outras orientações gerais.



Considerando todos estes fatores deve ser lembrado que para se tornar cirurgião plástico, aquele médico cursou por seis anos uma faculdade de medicina, sendo o vestibular mais concorrido de todas as faculdades em nosso país. Após estes seis anos de muito estudo, este médico realiza concurso também muito disputado para residência de cirurgia geral, por um período de dois anos no mínimo. E só então, após novo concurso, também muito disputado, o mesmo realiza a residência em cirurgia plástica, totalizando 11 anos de formação. Ao final da residência em cirurgia plástica é realizada uma avaliação pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, onde se houver êxito, há a obtenção do Título de Especialista pela Sociedade de Cirurgia Plástica.
Explicado tudo isto, podemos discutir como é estipulado os valores de uma cirurgia plástica qualquer.

Lembrando que o próprio cirurgião deve estipular o quanto acha justo cobrar por seu serviço prestado,  o total de um orçamento de uma cirurgia é composto por alguns itens:

1) Hospital ou Clínica onde será realizado a cirurgia. As tabelas de valores hospitalares variam amplamente de hospital para hospital, sendo acrescido valores quando solicitamos alguma medicação fora do padrão daquele hospital. Em alguns hospitais, a sala de cirurgia é cobrada por um período de tempo pré-estipulado, e quando passado este período é cobrada uma multa, geralmente de hora em hora.

2) Próteses fazem parte do orçamento. Devemos lembrar que as próteses mamárias de boa qualidade são de valor elevado, com valores entre 1600 a 3000 reais, e que algumas cirurgias não são realizadas sem elas.

3) Equipe cirúrgica. Esta é composta por, além do seu cirurgião plástico principal, pelo cirurgião auxiliar (que também é um cirurgião plástico), do médico anestesista e da instrumentadora cirúrgica. Algumas vezes, em grandes cirurgias ou em associações de cirurgias, mais de uma auxiliar se faz necessário. A importância do auxiliar não é somente para ajudar o cirurgião, como também poder assumir a cirurgia sem acrescentar risco a paciente se algo acontecer ao cirurgião principal. Por isso o auxiliar também é um cirurgião plástico.

 


Alguns cirurgiões optam por receber menos e operar em um volume maior, acumulando várias cirurgias naquele mesmo dia, oferecendo então facilidades e barateamento do seu orçamento para seus pacientes. Como eu disse anteriormente, o cirurgião é livre para cobrar o quanto acha justo, mas fica aqui a reflexão para quem prefere ser operado pelo preço mais baixo, onde o cirurgião pode delegar a seus auxiliares algumas decisões principais de sua cirurgia enquanto em outra sala a próxima paciente esta sendo preparada, ou então este apressa-se a realizar sua cirurgia para logo acabar e iniciar a próxima e assim por diante, não dando atenção a pequenos detalhes para o melhor "acabamento"de sua cirurgia (desculpe o termo chulo).

Pense nisto quando for realizar sua cirurgia plástica, e sempre procure um cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Fico a disposição para tirar qualquer dúvida (é só incluir nos comentários ou mandar pelo email mattherdy@me.com).




segunda-feira, 11 de junho de 2012

Implantes Mamários - por onde colocar.



















Após decidido aumentar o volume das mamas usando um implante de silicone devemos decidir por onde serão feitas as incisões para a colocação do silicone. Para isto devemos saber que existem 3 vias principais para isto e iremos explica-las separadamente.









1) Via Submamária: é feito uma incisão de 4-5cm no sulco submamário (dobra inferior da mama), por onde é criado o espaço entre a glândula mamária e o músculo peitoral para posicionamento da prótese. Esta via é muito boa, pois a incisão fica mascarada pela própria dobra da pele, mesmo se ficar mais escura ou mais grossa. A grande desvantagem é que a cicatriz pode ficar aparente quando a paciente estiver de biquíni, por isso não é a preferência no Rio de Janeiro.









2) Via Periareolar: a incisão tem forma de meia-lua margeando a aréola em sua porção inferior. Este local, por ser a região com transição de cor, pele clara com a coloração mais escura da aréola, mascara bem a cicatriz. Como desvantagem pode haver alguma alteração, geralmente transitória, da sensibilidade da aréola. Outra desvantagem é que o tamanho da prótese pode ficar limitada, pois em aréolas pequenas, implantes grandes não passariam.












3) Via Axilar: nesta a incisão é feita em uma prega da axila da paciente, e o descolamento da glândula é feita a distância. A grande vantagem desta via é que não há cicatrizes na mama. O que limita esta técnica é que a aquisição da simetria é extremamente difícil, sendo indicada quando as mamas são completamente iguais.




















Não discutiremos aqui a via transumbilical, uma vez que por esta via não usamos implantes de silicone, e sim de solução salina (soro fisiológico), e ao meu ver não obtemos resultados naturais com esta técnica.

 Em outros post discutiremos o posicionamento dos implantes, a colocação atrás do músculo ou somente atrás da glândula.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Lipoescultura - também é a mesma coisa doutor?

Deixei de falar sobre lipoescultura no último post de propósito.


Como comentei que a lipoaspiração recebe vários nome diferentes para criar um procedimento mais comercialmente aceitável, ou como forma de marketing para promover determinado médico ou clínica. Já a lipoescultura não é usada como marca comercial, mas sim quando se associa a lipoaspiração a enxertia de gordura. Muitos cirurgiões plásticos usam tal termo normalmente, sem intenção de propaganda.


Vamos entender melhor. Ao realizar somente a lipoaspiração, descartamos a gordura aspirada das áreas tratadas, moldando o corpo da paciente apenas pela retirada da gordura. Já com a lipoescultura, esta gordura, antes descartada, é aproveitada para preencher áreas de depressões ou locais onde o maior volume é desejado, como o aumento do bumbum. Esta gordura a ser enxertada deve ser tratada, separando-a do sangue e do líquido anestésico que é aspirado junto a esta. Então não é só tirar e injetar.


Sabemos que este tecido gorduroso tratado é rico em células troncos, que facilitam a pega do enxerto no local, e em alguns casos observamos também melhora da pele por estimulação dos tecidos por estas células troncos.

Porém nem tudo são flores. Com o enxerto de gordura, não conseguimos quantificar exatamente o quanto vai ser absorvido, ou o quanto vai "pegar". Estimamos que cerca de 30% do volume aumentado é absorvido no pós-operatório, e as vezes esta absorção não é simétrica, por isso deve-se ter cuidados em grandes aumentos de volume, podendo gerar assimetrias. Quando quisermos aumentar a área com grande volume damos preferência ao uso de implantes/próteses para isto.


Lembre-se sempre de procurar um cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica para realizar sua cirurgia.


Qualquer dúvida escreva nos comentários que terei o maior prazer em responde-las.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Hidrolipo, minilipo, lipo light, HLPA, lipoaspiração - existe diferença?

Devido aos últimos acontecomentos, foi extremamente divulgado na mídia, conteúdo sobre lipoaspiração. Foi ocorrido uma fatalidade após tal procedimento, deixando as pacientes e futuras pacientes receosas sobre tal procedimento.

Após tal fatalidade, foi comum algumas pacientes questionarem quanto a segurança da lipoaspiração, e se a lipolight ou a hidrolipo, que tem sua realização em consultórios por alguns colegas, serem mais seguras que tal procedimento. A confusão sempre acontece pois o "marketing" que feito para tais procedimentos é comum, ainda mais após tal episódio fatídico. Porém não se confunda! Entenda o que são estes procedimentos no post a seguir.

Muitas pacientes chegam ao consultório procurando um tratamento para suas gordurinhas localizadas, porém apresentam muitas dúvidas sobre os tipos de procedimentos por causa da grande mídia que alguns apresentam.


Alguns colegas, como jogada de marketing, apresentam a hidro lipo, ou a HLPA, ou lipo light, etc, como se fosse um procedimento diferente da lipoaspiração, com menos custo e resultados fantásticos, alguns chegando a apresentar em suas propagandas resultados do tipo antes-e-depois, totalmente  antiéticos. Outra jogada de marketing, a fim de se ganhar mais dinheiro, é fragmentar o procedimento em vários, como por exemplo dizer ao paciente que é mais seguro realizar primeiro a aspiração do flanco e alguns meses depois o abdome e assim por diante, parecendo ao paciente que um procedimento é menos caro e tem recuperação mais rápida, além do médico oferecer a realização em seu próprio consultório, parecendo ao paciente que este é uma cirurgia com menos ou sem riscos. Alguns colegas mais inescrupulosos chegam a dizer que tais procedimentos não são cirurgias, e que as pacientes não precisam se afastar de suas atividades regulares.




Para esclarecer de uma vez por todas estas questões vou simplificar em uma única frase: estes procedimentos citados são lipoaspirações e necessitam ser tratados com seriedade. A hidrolipo, HLPA, lipo light, etc são os mesmos procedimentos mascarados em nomes comerciais para "vender" como produto mais aceitável e menos arriscado, sem necessitar de grandes preparações, mas se enganam as pacientes achando que não existem riscos.



Qualquer procedimento cirúrgico de grande porte, como a lipoaspiração  (lipo light, HLPA, hidrolipo também são considerados de grande porte, pasmem) deve ser realizado na segurança de um centro cirúrgico acompanhados de um anestesista, assim como uma equipe especializada em cirurgia plástica, membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Além de ter sido realizados exames pré-operatórios, como exames de sangue, de imagem e avaliação cardiológica.


Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica mostrou que as complicações acontecem na maioria dos casos quando realizados sem devidos cuidados e por "profissionais"não qualificados (não cirurgiões plásticos - como ginecologistas, cirurgiões gerais, médicos estéticos, etc.).



Então não se esqueça, sempre perguntar seu cirurgião se ele é cirurgião plástico, credenciado à sociedade, se a cirurgia vai ser realizada em um hospital adequado (com suporte para qualquer eventualidade), e se um anestesista vai acompanha-lá. Se houver alguma dúvida pode verificar o credenciamento de seu médico no site da SBCP. Estou a disposição para qualquer esclarecimento em meu email: mattherdy@me.com ou medbeauty@ig.com.br.



sábado, 2 de junho de 2012

Inverno chegando - época de cirurgia plástica

Vem chegando o inverno e com ele o aumento da freqüência em nossos consultórios. Mas por que esta época há um aumento no número de cirurgias? E esta é mesmo a melhor época? Neste post vou tentar explicar este fenômeno.

Com o inverno as temperaturas caem na maior parte do país, e isto acaba por beneficiar a recuperação de uma cirurgia plástica. O calor faz com que haja maior vasodilatação (aumento dos vasos sangüíneos no corpo), aumentando o edema pós-operatório. O frio faz o efeito contrário, os vasos sangüíneos se contraem, diminuindo o inchaço e pode propiciar a ter menos hematomas.

Além disso, faz parte do pós-operatório de algumas cirurgias, como abdominoplastias, lipos, etc, o uso de cintas modeladoras, que podem ser extremamente desconfortáveis no calor. Então o frio as torna mais suportáveis pelo tempo necessário de uso.

Outro fator que leva ao maior número de cirurgias é que em junho/julho onde temos o inverno, coincide com as férias escolares, dando aos nossos pacientes mais calma e conforto para uma boa recuperação, sem a pressa da volta logo as atividades profissionais.

Espero ter esclarecido algumas dúvidas, estou a disposição para qualquer esclarecimento. Lembre-se sempre de procurar um cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica para sua cirurgia.